Episódio 3 · Comportamento empreendedor

O futuro é que manda no presente.

César Henrique Gonçalves mostra como coragem, relacionamento, metas e acompanhamento transformam vontade de empreender em resultado que se sustenta.

César Henrique Gonçalves · Aliança Consultoria 61 min
3

Convidado

César Henrique Gonçalves

Empresário, consultor e coordenador do programa Desafio Empreendedor.

Tese do episódio

Comportamento empreendedor é o sistema que transforma intenção em execução.

O terceiro episódio conecta histórias de vida a uma arquitetura prática: coragem para assumir, humildade para perguntar, relacionamento para mobilizar, meta para orientar e monitoramento para corrigir.

A conversa também impõe um limite importante. Fazer acontecer não significa fazer tudo sozinho nem trabalhar sem pausa. Responsabilidade, delegação e equilíbrio precisam coexistir para que o resultado sobreviva ao próprio esforço do dono.

Em 15 momentos

Mapa da conversa

  1. 00:00Comportamento empreendedor e uma história construída em família
  2. 04:18Trabalho cedo, iniciativa e a força da rede de contatos
  3. 07:20Aos 19 anos, coragem para assumir e humildade para aprender
  4. 10:10Empresa não existe sem gente
  5. 13:35Buscar informação antes de tomar decisões
  6. 17:15Como formar e reter um time por meio do relacionamento
  7. 20:10Convivência, competência e autoridade na liderança
  8. 25:25Comprometimento começa com a palavra dada a si mesmo
  9. 28:05A meta separa persistência de teimosia
  10. 30:05Estar ocupado não é o mesmo que produzir
  11. 35:05O prejuízo que ensinou a acompanhar antes que seja tarde
  12. 38:15Propósito, delegação e monitoramento
  13. 41:05O celular como bênção e maldição para o empreendedor
  14. 44:10Equilíbrio, descanso e longevidade
  15. 54:05Conversa informal, decisão formal e responsabilidade

Análise aprofundada

Sete comportamentos entre a intenção e o resultado.

I

Empreender começa quando alguém decide fazer acontecer

O que aparece na conversa

César descreve uma infância cercada por empresários da família, o trabalho iniciado aos onze anos e a pequena venda de sacolés aos treze. Mais tarde, aos dezenove, a morte repentina do pai o colocou diante de fazendas, uma indústria e a responsabilidade pela mãe e pelos irmãos.

Leitura

O episódio retira o empreendedorismo do campo da personalidade heroica. Iniciativa é uma resposta concreta a uma necessidade: vender, resolver, aprender, sustentar. A história familiar ofereceu repertório, mas foi a responsabilidade real que transformou observação em ação. Empreender, aqui, é assumir que alguma coisa precisa acontecer e colocar recursos em movimento.

II

Coragem sem humildade aumenta o tamanho do erro

O que aparece na conversa

Ao assumir os negócios, César não fingiu dominar aquilo que ainda não conhecia. Ouviu tios, funcionários experientes, veterinários e pessoas que viviam a operação. A coragem de decidir caminhou junto com a disposição de perguntar.

Leitura

Coragem permite entrar no problema; humildade impede que a convicção vire cegueira. A combinação é poderosa porque preserva a responsabilidade do líder sem desperdiçar o conhecimento distribuído pela equipe. Buscar informação não diminui autoridade. Faz a decisão chegar mais perto da realidade antes que o custo do erro apareça.

III

A empresa é uma rede de relações antes de ser uma estrutura

O que aparece na conversa

A frase central desse trecho é direta: se todas as pessoas forem retiradas de um supermercado, restam produtos, prateleiras e equipamentos, mas não resta uma empresa. César associa os melhores empresários que conheceu à capacidade de conversar, ouvir, explicar e respeitar.

Leitura

Processos e ativos não produzem coordenação sozinhos. O trabalho acontece porque pessoas interpretam prioridades, resolvem exceções e confiam umas nas outras. Por isso, retenção não começa no recrutamento; começa na qualidade da relação cotidiana. Cada colaborador precisa saber quem o lidera e sentir que existe uma conversa possível quando a realidade muda.

IV

Liderança equilibrada combina convivência, competência e autoridade

O que aparece na conversa

A conversa organiza a liderança em três partes. Convivência é conhecer a pessoa. Competência é tornar claras as regras, responsabilidades e entregas. Autoridade é sustentar o que foi combinado quando chega a hora de decidir ou corrigir.

Leitura

Isoladas, as três forças deformam a liderança. Só convivência produz tolerância sem direção; só processo produz frieza; só autoridade produz medo. O equilíbrio cria um ambiente no qual a pessoa é reconhecida, sabe o que precisa entregar e encontra consistência na cobrança. Quando um time não responde, esse triângulo funciona como diagnóstico.

V

Meta é o mecanismo que transforma esforço em direção

O que aparece na conversa

César diferencia estar ocupado de estar produzindo e afirma que persistência pressupõe uma meta. Sem um resultado mensurável e um prazo, não existe critério para saber se é hora de insistir, ajustar, acelerar ou parar.

Leitura

A meta não serve apenas para cobrar desempenho. Ela organiza o presente. Permite decompor um objetivo mensal em entregas semanais, reconhecer oportunidades relevantes e ativar persistência e comprometimento quando surge um desvio. O futuro passa a mandar no presente porque as escolhas de hoje ganham um destino explícito.

VI

Delegar tarefa não transfere responsabilidade

O que aparece na conversa

O caso da indústria de refrigerantes concentra a lição mais cara da conversa. César investiu sem acompanhar de perto, descobriu tarde problemas de caixa, vendas e posicionamento e encerrou a operação com grande prejuízo. Nas fazendas, descreve o método oposto: delegar e monitorar.

Leitura

A diferença entre delegar e “delargar” está no sistema de visibilidade. O dono não precisa executar tudo, mas precisa receber informação suficiente para decidir a tempo. Indicadores, conversas e responsáveis claros criam antecipação. Quando o resultado final é a primeira notícia que chega ao empresário, a janela de correção provavelmente já se fechou.

VII

Resultado duradouro exige energia renovável

O que aparece na conversa

Celular, redes sociais, trabalho intenso, família, saúde, fé, cinema, pesca e atividade física aparecem como partes do mesmo problema: usar energia com intenção. O episódio defende períodos de intensidade, mas também descanso disciplinado e presença fora da empresa.

Leitura

Qualidade de vida não é prêmio posterior ao sucesso. É infraestrutura para continuar decidindo bem. O empreendedor que não descansa perde foco, velocidade e relações; o que se ausenta da empresa nos momentos críticos também compromete o negócio. Sustentabilidade pessoal é alternar presença total, delegação consciente e recuperação antes que o corpo ou a família imponham a pausa.

Princípios de execução

Dez atitudes para o comportamento aparecer no resultado.

O episódio mostra que comportamento não é discurso motivacional. Ele aparece na maneira de decidir, conversar, acompanhar, cumprir a palavra e preservar energia para continuar.

01Resolver problemas gera valor
02Coragem com humildade
03Informação antes da decisão
04Relacionamento antes da cobrança
05Expectativas simples e claras
06Compromisso com a própria palavra
07Meta mensurável e com prazo
08Delegar sem abandonar
09Monitorar antes que seja tarde
10Descansar para sustentar o ritmo

Teste de realidade

Cinco perguntas para a próxima reunião de gestão.

  1. 01Qual resultado mensurável, com prazo, está orientando as prioridades desta semana?
  2. 02Estou buscando informação com quem vive a operação antes de tomar a decisão?
  3. 03Cada pessoa sabe quem a lidera, o que precisa entregar e como será acompanhada?
  4. 04O que deleguei continua visível por meio de indicadores, conversas ou marcos de controle?
  5. 05Minha rotina está produzindo resultado ou apenas ocupação, desgaste e reação?
“A persistência pressupõe a existência de uma meta. Se não tem meta, a persistência é só teimosia.”

César Henrique Gonçalves, aos 29 minutos do episódio

Próximo passo

Quer aplicar isso na sua empresa?

No programa, você trabalha a delegação e a rotina de gestão para sair do operacional, com acompanhamento semanal.

Próxima turma: 17 de novembro de 2026, na Vila Mariana, São Paulo. 8 vagas.

Transcrição

A conversa completa

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Bem-vindos ao terceiro episódio do podcast Empreendedorismo Raiz. Você já ouviu falar de comportamento empreendedor? Hoje, para falar sobre comportamento empreendedor e outros assuntos, vamos receber o César Henrique Gonçalves, que é empresário de longa data, proprietário da empresa Aliança Consultoria e coordenador do programa Desafio Empreendedor. Comportamento, liderança, mercado, vendas, finanças. Um papo reto com quem faz e tem resultados. Empreendedorismo Raiz, o podcast onde a gente te entende. Com Paulo Pato Vila, Ricardo Pezati e seus convidados. Olá, empreendedor. Olá, empreendedora. Começando aqui o podcast Empreendedorismo Raiz. O podcast onde a gente te entende. Te entende quando você quer crescer, quando tem dificuldades de contratar,

quando é incompreendido pelos demais. Aqui a gente te entende e traz temas e pessoas importantes para somar com a gente. O podcast Empreendedorismo Raiz existe porque acreditamos que os empreendedores podem e merecem mais resultados, com mais qualidade de vida. Aqui quem fala é Paulo Pato Vila. Junto com o meu amigo e parceiro Ricardo Pezati, vamos trazer hoje um convidado para lá de especial. Ok, Pezati, que vai vir hoje aí. Nosso grande amigo César Henrique. Grande César, tudo bem? Bom, pessoal. Tudo bem, tudo bem. Prazer estar aqui falando com vocês. Pense em um empreendedor Raiz. Vou pedir para o César contar a história dele, de tudo que… Assim, ele começou muito novo, eu sei da história pessoal dele, somos amigos, mas ele começou muito novo já e há um bom tempo atrás, né, aqui em São Paulo, em Goiás, em várias áreas, a empreender. Ele tem muita história. Pensa que o cara teve locadora, teve fábrica de refrigerante, teve…

Você não tem ideia, o cara teve tanta coisa. Então vamos contar umas histórias aqui. Essa da fábrica de refrigerante é bem interessante, inclusive. Fala lá, César, desde quando você está nesse negócio de empreender? É muito bom falar desse tema. Eu amo empreendedorismo, né? Eu amo fazer as coisas acontecerem, porque eu venho contar da minha história, né? Na verdade, a minha história vem da história de empreendedores, né? Meu avô veio de Minas para São Paulo, com a família em cima do caminhão. Uma família de 14, entre meu pai e tio, são 14 filhos, né? Todos empreendedores, né? Todos se tornaram empreendedores. Então eu venho de uma família de empreendedores. Então, nunca existiu outro caminho na minha vida que não fosse empreender, porque eu aprendi a falar e andar vendo pessoas empreender. No mais puro sentido da palavra, empreender é o quê, né? É fazer as coisas acontecerem. Os estudiosos aí vão dizer que empreender é juntar recursos humanos e financeiros.

Na verdade, juntar a gente dinheiro e fazer um negócio acontecer, alguma coisa acontecer, para que você tire isso dentro de você, da sua família, de quem trabalha com você ou trabalha para você, né? Então eu cresci conhecendo só esse mundo. O mundo de ter empresa, ter negócio. Minha família, meu pai desenvolveu agricultura e pecuária em Goiás. A gente morava, eu desde pequeno, em São Paulo, mas meu pai tinha negócios lá, tinha indústrias cerealistas de arroz. Meu pai começou a vida dele buscando arroz no estado de Goiás para vender no estado de São Paulo, perto de 60, né? Então eu cresci vendo isso daí. Então, assim, nunca entendi que tinha outro caminho. Aliás, eu acho que os maiores males do mundo que resolvem é o empreendedorismo, né? Que gera emprego, gera renda, gera receita, gera alimento, gera resolução de problemas quando você pede um serviço, né? Então, assim, empreender, para mim, é a solução de tudo.

Tem sido a solução da minha família e tem sido a minha solução também. O pessoal está falando aí empreendedor raiz, né? Meu pai, empreendedor, daqueles mineirão bravos, né? Mineiro bravo e tal, tem que trabalhar desde cedo. A gente sempre teve uma qualidade e um padrão de vida muito bom para o plano dele empreender, né? Mas meu pai sempre obrigou a gente a trabalhar desde cedo. Eu comecei com 11 anos de idade a trabalhar com os meus tios no supermercado deles, né? E aí vocês estão falando assim, empreende desde cedo, vender picolé e chup-chup, e isso aí conta como empreender. Está juntando pessoas de recursos e falando assim, o senhor é dotado. Pois é, na verdade, eu era um moleque meio custoso, um moleque meio difícil, né? E gostava de dinheiro, né? Então a gente tinha a mesadinha que o pai dava, então ele fazia trabalhar fora, eu trabalhava com os meus tios lá, tinha o saláriozinho que trabalhava aí em período, né? Mas eu comecei a trabalhar com 11, com 13 anos, eu fui mandado embora, meu.

Eles tinham me mandado embora. Mas o que eu vou fazer agora? Eu vou mandar embora com 13 anos de idade. Falei, cara, vou pegar minha prima, que é minha desenrolada também, comprar um saquinho, uns quissuco e açúcar, e vou fazer, aqui em São Paulo a gente chama de chup-chup, né? Fazer esse negócio, uma caixinha de solvorinha e vender. Então com a 13 anos de idade, eu comecei a vender isso aí, já tinha uma funcionária que era minha prima, não pagava nada, não pagava nada, mas me ajudava, né? E vendia isso aí. No instante eu fui chamado para trabalhar de volta, porque a gente fala de empreendedorismo, né? Isso abre espaço para tanta conversa, né? Hoje é muito chique falar em network, né? É muito mais fácil você empreender onde você conhece mais gente do que empreender onde você não conhece gente. Talvez isso seja uma grande dica para você que quer empreender, o que está empreendendo. O net, se você já empreende, precisa ter um network para você te apoiar nisso.

Se você está pensando em empreender, seria interessante você se valer de um negócio onde você conheça gente para te ajudar. E eu fui vender chup-chup na frente do supermercado. Eu conhecia um monte de amigo que trabalhava lá, um monte de cliente, um monte de gente, fui vender lá, onde eu conhecia gente. Durou pouco tempo, né? Meus tios me chamaram de volta, porque eles falaram, nossa, lá fora vendendo chup-chup, a gente não anda nele, né? Trazer ele para trabalhar de volta, porque trabalhando de volta a gente manda nele. E trabalhei com esses tios muito tempo, trabalhei com um outro tio, que você vê, eu trabalhava, mas eram pessoas que me incentivavam a resolver problemas, né? Eu fui trabalhar com outro tio na área de informática, isso década de 80, informática começando no Brasil, e eu fui trabalhar com um outro tio que era desse ramo, e que me incentivava a aprender as coisas, resolver problemas. Então, eu com 16 para 17 anos, instalava computador, instalava impressora, ajudava as pessoas a começar a usar isso,

porque a empresa dele vendia isso, né? Então, eu era um menino que resolvia problemas dos outros. Eu ganhava, eu não empreendia, quem empreendia era meu tio. Mas isso, de alguma maneira, já me fez associar que tem recurso, se ganhar dinheiro, isso vem de quando você resolve o problema de alguém. E isso, na verdade, é empreender. E eu fiquei com esse tio há alguns anos também, trabalhando aqui no interior de São Paulo, em Campinas, quando eu decidi chutar o pau da barraca e ir embora para Goiás. Chamei meu pai e falei, não, não quero mais trabalhar, nem estudar aqui, nada, eu quero ir embora para Goiás. Cuidar das coisas da família, olha só, meu pai aprendia lá, de alguma maneira, eu falei, não, eu quero empreender também, não quero estar trabalhando com os outros. E fui embora para Goiás, e aí que a minha vida de empreendedor mesmo começa, porque eu larguei faculdade, larguei trabalho, larguei uma vida de playboy. Quem da nossa idade aqui se lembra dos golzinhos GTS vermelho, né? Então, eu com 19 anos andava num golzinho GTS vermelho, tinha uma grana legal, se fazia faculdade. Mas larguei tudo isso para ir embora para Goiás,

trabalhar com meu pai e aprender. Mas foi muito rápido, eu fiquei lá três meses só, meu pai teve um AVC, afluminante, faleceu. E daí eu fiquei com 19 anos, em Goiás, uma mãe, três irmãos, duas fazendas, uma indústria serialista de arroz. Cara, eu tinha que cuidar disso. Então, não fui convidado a empreender, eu fui obrigado a empreender de fato. Mas a pagagem do que eu tinha aprendido com o meu pai, com os meus tios a vida inteira, me fez ter coragem. Porque para empreender, precisa ter coragem, não tem jeito. Se não tiver coragem, não vai. E aí eu tive coragem de assumir as coisas todas, mas olha que legal. A gente vai falando, vai pipocando as coisas aqui. É preciso ter coragem junto com a humildade. Então, eu tive coragem de empreender, tive a humildade de escutar os meus tios, escutar as pessoas mais velhas, escutar as pessoas que entendiam mares do ramo, para poder jogar tudo que eu batia a construir de fora. Sustentei minha mãe e meus irmãos,

fazendo faculdade durante muitos anos. Até que depois eu fui ter os meus próprios negócios. Toquei os negócios da família, vamos dizer assim. Então, empreendedor, a raiz mesmo. Foi assim que o negócio começou. Foi na marra. Nossa, sensacional, hein, César? Uma história incrível, cara, que pode inspirar muita gente. Ver que é possível, tendo essa coragem, e uma palavra bacana que você utilizou, que é a humildade de aprender. E eu que te conheço, sei que você continua sempre buscando aí o crescimento, né? Não é à toa que você ajuda tanta gente também a empreender, né? Agora, César, hoje está muito em voga. O pessoal vai falar de mentoring, ter um mentor. E é bacana você ter alguém mesmo que te inspira algumas coisas e enxergar comportamento. E você fez isso na prática, porque uma vez que você via seus tios empreendendo, via seu pai empreendendo, quer queira quer não, na idade que você tinha, você ia se apropriando disso, você ia vendo esse modelo

de como funcionar, como trazer resultado, como lidar com pessoas. E tenho certeza que isso te formou demais, né? O que que você via e que mais te chamava atenção? O que que você percebia em termos comportamentais aí neles que você traz até hoje e via que fazia diferença que outras pessoas não tinham e que eles tinham? Cara, eu acho que uma das coisas principais, assim, uma das principais qualidades, aptidões que o empreendedor deve ter é capacidade de se relacionar com a gente. Eu gosto de dizer o seguinte, que eu aprendi com o tempo, que empresa é algo que, na verdade, não existe. Porque existe a gente. Você pega aí um supermercado, por exemplo. Se você tirar todas as pessoas de lá, não sobra uma empresa, vai sobrar prateleira, produto, equipamento, não sobra negócio, não sobra empresa, se você tira as pessoas.

Uma pessoa sozinha na praça da cidade vende produtos, que você compraria no supermercado, faz uma negócio acontecer. Então, assim, empresa não existe, existe até a gente. Então, para empreender, o que eu mais via com o meu pai e que depois comecei a observar e aprender com os meus mentores, vamos dizer assim, qualquer exemplo que alguns mentores, né, que eu tive, é se relacionar com gente. Saber conversar, saber ouvir, saber explicar, saber respeitar, né? Então, essa capacidade de se relacionar isso é fundamental. E meu pai era uma pessoa, assim, austera, firme, falava grosso, bravo, mas era um cara amado e querido em qualquer lugar que ele chegava. Ele não tinha funcionários que não estivessem com ele há vários anos. Ele tinha funcionários que se tornaram sócios. Ele tinha clientes que se tornaram amigos, né? Então, tudo isso vinha de um bom trato de relacionamento com as pessoas. Eu lembro que meu pai tinha funcionários,

eu descobri isso mais tarde, com os funcionários deles que se tornaram meus funcionários. Gente que falava assim, porra, seu pai era foda. Eu tava trabalhando num lugar ganhando 10, ele falava que precisava de mim pra trabalhar pra pagar 8. Cara, eu largava e ia. Entendeu? E isso eu ainda fazia eu levar mais dois, três. Eu tinha que conversar, consegui convencer mais dois, três pra ganhar 10, pra ganhar 8 trabalhando com ele lá. Então, assim, claro, no final disso tudo, meu pai, gratificava, meu pai tratava bem. Esse cara não ia à toa. Entendeu? Mas é relacionamento. Então, isso foi algo que eu aprendi, assim, bem cedo, que eu falava assim, o que você viu lá, né? Relacionamento. E aí eu comecei a conviver com alguns amigos do meu pai. Eu tinha 18, 19 anos, na verdade, novamente. Os amigos do meu pai que empreendiam com fazenda ou tal, com quem eu passei a conviver, eram homens de negócio de 40, 50, 60 anos, né?

E os que mais davam certo, cara, eram esses que tinham mais habilidade em se relacionar com pessoas. Isso é muito importante. Cesar, você falou aí de um comportamento, né? A gente fala muito aqui no empreendedorismo raiz do comportamento empreendedor. Você falou do um que é persuasão e rede de contatos e tem outro que é fundamental, né? Que é busca de informações. Você sabia que não tinha todas as informações disponíveis, que você estava começando ali, que você sabia já bastante coisa, mas não sabia tudo. E você ia buscar a informação, né? Como você disse, tinha humildade para ir lá perguntar, buscar, entender, e com isso você foi melhorando cada vez mais. Fala um pouquinho desse processo de buscar informação por raiz que está aí precisando, né? Muitas vezes alavancar a vida. É, cara, olha só, a gente trabalha com comportamento com comportamentos empreendedores, pesquisas feitas pela ONU e tal, comportamento comum a quem tem sucesso é a capacidade

de buscar informação. Na nossa época era até mais difícil buscar informação tecnicamente, né? Hoje a informação está disponível na internet e tudo quanto é lugar. É fácil, você precisa ter iniciativa de lá buscar informação, porque a informação está disponível e ela é base para você tomar boas decisões é informação. Então, assim, eu tinha 20, 21 anos, que estava lá no interior de Goiás, tocando duas fazendas. Então, assim, tanto eu vinha para São Paulo Capital, Expo Center Norte em congressos e tal para aprender mais sobre pecuária, muito embora eu já tivesse vivido a pecuária desde que eu nasci na fazenda, né? Mas eu vinha para São Paulo para ver esse tipo de coisa. Eu procurava estudar naquela época de internet, então tinha cursos por apostila. cara, mas as melhores informações que eu consegui foi só ouvindo. A gente tinha em uma das fazendas um gerente que ele era gerente da fazenda

desde que eu tinha 10 anos, ou seja, eu era o líder com 21, ele era um liderado com 45, que me viu no AC, isso é criança. De repente, eu tinha que liderar esse cara, mas esse cara sabia muito mais que eu. então, vamos dizer assim, o lance de buscar a informação, na maioria das vezes é, se é uma crise, o que o senhor acha disso? Como o senhor acha que podia ser feito? Eu tinha acabado de ver um negócio novo e inovador em São Paulo, mas eu perguntava para o cara que estava lá no dia a dia, o que você acha disso aí? E o cara falou assim, cara, isso pode não funcionar por causa disso aqui, se a gente ajustar aqui o negócio vai. Então, eu buscava informação com as pessoas que estavam no meu dia a dia, que na verdade entendiam mais do que eu, eu tinha tio, por exemplo, que estava na pecuária no mesmo tempo do meu pai, que eu manjava muito também. Tio, o que o senhor está fazendo? O que o senhor acha disso? Estou pensando em tal coisa. Não, menino, não é de com isso não, você não pode errar por causa disso, entendeu?

Então, às vezes eu era incentivado, às vezes eu era impulsionado, mas as minhas decisões eram baseadas em informação que eu buscava, seja para um funcionário da fazenda, seja para um curso, seja para um veterinário, estar atento à informação o tempo inteiro, que elas estão disponíveis. Já ouvi, e quando você traz isso, às vezes você tinha até algum tipo de informação, até mais de ponta, mas você tinha, você ia lá, perguntava para a pessoa que era seu liderado, o que ele achava, de repente ele trazia algo semelhante, do que você já sabia, empoderava ele disso, e ele gostava, ele se comprometia ainda mais. hoje, muita gente está reclamando, cara, eu não consigo contratar pessoas, eu não consigo fazer essas pessoas se comprometerem com o trabalho, isso que você fez é uma forma da pessoa se comprometer, que dica você daria para ajudar as pessoas a formar um time, captar pessoas interessantes, formar um time, manter o time,

o que você poderia colaborar nesse sentido? Olha, depois das fazendas, eu tive assim, vários negócios, todos antes dos 30 anos, eu tive franquia da Nobel, eu tive distribuidora de gás da Outragas, tive franquia da 100% Vídeo em São Paulo, lá em Goiás, igual o Alvesate falou, indústria de evigerante, funcionário de bota, cara, tudo isso daí, tudo antes dos 30 anos, tudo isso daí não funciona comigo, por mais que eu tenha ou coragem, ou humildade, não funciona comigo sozinho, de gente, né, e eu vejo, eu sou consultor hoje do desafio empreendedor, e a gente atende aí um monte de empresa, né, e cara, é assim, todo mundo vai reclamar da mesma coisa, seja em Goiás, seja em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, seja nos outros países onde tem desafio empreendedor também, a reclamação é sempre a mesma, gente, você vê que eu comecei aqui quando a gente fala de empreendedorismo e fala de gente, então assim, naquela época eu já tinha,

tudo bem que hoje pode ser que tenha mais um empreendedor tenha mais dificuldade para contratar a gente do que naquela época, né, hoje a oferta de trabalho é maior do que a, né, que você tem gente para cumprir, para encaixar as obras, ainda mais quando você fala em ser uma pessoa técnica que consiga fazer o trabalho, mas de maneira simples, você fala assim, sobre liderança, como é que faz, né, a chave disso, para mim, Pato Vila, está no relacionamento, entendeu, hoje é muito difícil contratar e tem um monte de gente suando a camisa para contratar, gastando justos de dinheiro para contratar, mas não faz nada para reter, entende, e líder, liderado, é uma questão de relacionamento, dá uma palestra de liderança, eu gasto um tempão para explicar para os caras que relacionamento é conversa, você precisa conversar com o pessoal, pode ser reunião sermanal, pode ser um negócio bem técnico numa mesa de reunião

para aferir desempenho, né, para fazer planejamento da semana, pode ser lindo isso daí, ou pode ser chamar o cara e falar, viu, ele cá, vou tomar um café comigo ali, vou comer um bom de queijo ali para que eu falo com você, entende? Então, é conversa, é relacionamento, o que mais faz você reter talentos dentro da sua empresa é relacionamento com as pessoas, César, eu tenho 10 filiais, tenho mil funcionários, legal, então você precisa reter talento e ter relacionamento com alguns líderes que façam a mesma coisa com a galera que trabalha lá, nenhuma pessoa que trabalha com você pode ficar sem um líder, ou é você que tem esse relacionamento afinado, ou é alguém que você preparou para ter relacionamento afinado pessoal, conversar, tecnicamente ou não, que faz reter muito talento, é isso, a gente pode falar de que precisa ter objetivos com menos, a gente precisa falar que precisa ter atividades onde você tenha mensurabilidade de prazo, tudo isso faz as pessoas

se desafiarem, se envolverem, mas tudo isso daí é só o fim, o meio que te leva até lá é relacionamento com as pessoas e ter tempo de conversar. César, a gente tem um, a gente fala muito disso nos programas que a gente faz, o desafio, que assim, a gente sempre coloca um terço, um terço, um terço, então um terço é você ter relacionamento, você ter ali uma convivência, acho que a melhor palavra é essa, você precisa saber quem é a pessoa, se tem filho, se não tem filho, quem é, você não vai saber de tudo, mas pelo menos de quem você lidera direto, você precisa saber, a pessoa, você precisa, não dá pra você simplesmente ignorar que ali é uma pessoa, não são máquinas, são pessoas, e as pessoas que estão ali tem vida, tem família, não é ser paternalista, mas não dá pra ignorar que acabou de, a esposa perdeu um filho, e você tá lá batendo no cara, não vai funcionar, se precisa, alguém próximo precisa saber disso,

se você não é direto, mas isso é só um terço, isso não resolve, se ficar só nesse âmbito, a coisa desanda, aí tem um outro terço que a gente chama de área de persuasão, da área que é racional, então tem uma parte que é convivência, tem uma parte que é a parte de você estar ali passando o que é racional do negócio, olha, a regra do jogo é essa, é assim que se atende, é assim que se faz, é o que se espera do cargo, é isso que é a sua função, a gente chama isso de competência, mas tá ali, olha, a regra do jogo, da competência é essa, o que você vai fazer, você vai usar a tua ferramenta, vai usar, você atende de tal forma, se veste, é trabalho, estamos falando de trabalho, então tem regras ali bem definidas que vão ser observadas, que é o andamento da coisa, isso é uma parte racional, entra a meritocracia, entra a competência, entra tudo, isso é uma parte, e tem outra parte, que é um terço, que é liderança mesmo, autoridade, fala, olha, nós sentamos, todo mundo, definimos que vai ser assim, semana que vem, vem todo mundo de uniforme, beleza,

a gente não tá usando uniforme, não, a partir de semana que vem, é todo mundo de uniforme, tá combinado, todo mundo tem uniforme, tá todo mundo ciente, sim, a hora que chegar aquele sem uniforme, você fala, sinto muito, combinado foi esse, aí é uma posição de autoridade, então tem os três, e se for só autoridade, a pessoa acaba espanando, o termo bem, vai espanar, só autoridade, só no grito, não vai, se for também só no racional, é chato pra caramba, tem aqui o manual, você não segue o manual, não cara, tem os dois, você tem que ter autoridade, tem que ter o manual, e tem que conhecer as pessoas, se fizer os três bem feito, a coisa vai, e quando não tá andando, pode ir lá olhar, olha qual dos três que tá faltando, ou autoridade, ou a competência, ou a convivência, você não tá sabendo com quem você tá lidando, né, eu acho muito legal isso aí também. Exatamente, essas coisas se completam, você, com uma só, só na conversa, você não vai conseguir, em alguns momentos, a competência precisa estar lá, e a questão que você falou aí, de meritocracia, veja bem,

você não tem como medir, se você não tem como monitorar, se você não tem como acompanhar, se o cara não tem como entender o que que ele precisa te entregar, cara, a maior dificuldade hoje, se a gente for ouvir os colaboradores, de quem empreende, que às vezes não tá claro pra eles o que que eles precisam fazer, que resultado que eles precisam entregar, como o líder gostaria que fosse feito, então essas coisas tem que ser claras, quanto mais simples e mais claro for, né, melhor esse relacionamento, as competências ficam mais claras, e a autoridade pode ser exercida no sentido de combinamos isso, você é capaz de entregar isso? Então beleza, então é isso que nós vamos buscar, né, porque não tá conseguindo, como é que eu posso te ajudar a conseguir o que nós combinamos que você conseguiria? Cara, aí a coisa começa a funcionar diferente, e as pessoas tendem a se doar mais, tentem a se comprometer mais, tendem a se sentir mais desafiadas, quando as coisas são claras, elas chamem as regras do jogo que ela tá jogando

e o que o líder tá esperando dela. Agora, você falando uma palavra aí também que é outro comportamento, que é muito importante, que é comprometimento, o comprometimento ele só existe como mão dupla, imagina, você quer comprometimento do teu funcionário e o seu compromisso com ele é zero? Não é, tem que ser de mão dupla, ah, então você quer que eu dê tudo pra ele, não é esse lugar que ele tá falando, não é ser paternalista, não é, é cumprir o que falou, não é, tá aqui combinado, temos comprometimento, eu faço minha parte, é liderar pelo exemplo, né, eu tô aqui, tô fazendo a minha parte, você faz a sua também. E o exemplo, às vezes, não precisa nem ser do próprio empreendedor, por exemplo, conheço, a gente já fez tantas empresas, então tem que estar lá um empreendedor que gosta de falar, cara, na minha fase da vida, eu gosto de acordar tarde na academia e depois ir pra cá, eu chego às 10 horas, todo dia. Ok, você conquistou isso, mas quem que é o líder que vai estar lá 8 horas da manhã quando todo mundo chega, que precisa ter alguém, né, se você não é esse líder, essa posição, precisa estar delegado

alguém pra quem tá junto, sentir essa importância que ele fala, não, meu chefe chega, mas tem muita empresa que eu já fui, que a gente conhece, que o dono vai uma vez por ano e todo mundo é comprometido, por quê? ele tem lá uma figura que cumpre o papel dele. Agora, se o líder quer centralizar tudo, eu sou o líder, ninguém pode ser o líder e ele não vai, é difícil cobrar depois esse comprometimento se ele não demonstra o mesmo comprometimento, né, quem tá falando um negativo pra entender o que é um positivo nesse lado, né, mas isso acontece demais, César, a gente vê muito, então comprometimento é uma coisa fundamental, a gente precisa mostrar que tá comprometido com aquilo que a gente tá fazendo. Exatamente, isso é comportamento empreendedor, né, a gente atende aí antes centenas, agora milhares de empresas no desafio empreendedor e a gente trabalha muito isso com o pessoal, a questão do comprometimento, né, e a gente precisa entender o que é o comprometimento pra poder cobrar isso das pessoas,

pra ensinar a recobrar. O comprometimento, vamos dizer assim, está presente no empreendedor porque ele se compromete é com ele mesmo antes de se comprometer com qualquer coisa, então não é com a tarefa não é com o resultado, não é com o faturamento, se ele diz que vai fazer, faz, se ele diz que vai entregar a entrega por causa dele mesmo, porque eu falei, então não é porque vai ter que acontecer, não, porque eu falei que aconteceu, agora vai ter que acontecer. Então quando essa ideia de que o compromisso é antes comigo mesmo e depois com o resultado e quando eu tenho um time onde eles veem isso em mim e onde é isso que eu prego pra eles, cara, não é porque você vai entregar lá, não é porque é do cliente que você tem que entregar até as 10, porque você falou que entregar até as 10, isso é um compromisso com você mesmo, você falou que ia fazer, tem que fazer, porque se a pessoa não estiver comprometida com ela mesmo, não vai se comprometer com nada em volta. Então o segredo é entender que o comprometimento, ele vem antes de tudo com você mesmo. aí o resultado é muito diferente, então assim, a meta ela ajuda

a vir esse comprometimento porque ele vê onde ele pode chegar a partir do próprio comprometimento que ele vai fazer e vice-versa, através do comprometimento ele consegue realizar essa visão que ele se propõe, né? Como é que você vê esse aspecto da meta pro empreendedor pra ele transformar tudo isso daí e fazer a coisa andar? Ah, cara, esse é um negócio apaixonante, né? a gente que empreende fica até chato com isso aí, né? Cara, sem meta não tem nada, não tem nem sentido, né? Então se eu tenho uma empresa eu preciso ter as mesmas metas pra empresa, se eu quero viajar eu preciso ter a minha meta pra viajar, se eu quero trocar de carro eu preciso ter a meta qual carro eu quero e isso na verdade é muito simples, né? É mensurabilidade de tempo, o resto é acessório, você tem como medir, tem um tempo pra alcançar, você tem uma meta. Cara, aí vai vir persistência, aí vai vir comprometimento que imagina o seguinte, eu preciso me comprometer comigo mesmo e me comprometer com o quê? Se eu não tenho uma meta ou um objetivo não tem com o que eu me comprometer.

Persistir pra checar onde, né? Se eu não tenho uma meta ou um objetivo claro, a gente brinca com os nossos clientes, né? Que na verdade você tá persistindo ou você tá teimando. Existe uma linha muito tênue entre a persistência e a teimosia. A persistência pressupõe-se a existência de uma meta. Se não tem meta, a persistência é só teimosia. E o que é interessante é que o pessoal não percebe que muitos comportamentos empreendedores estão presentes no dia a dia, né? Então, assim, ah, eu busco oportunidade, eu sou assim, eu tenho iniciativa, eu sou assim, eu avalio risco, eu planejo, eu monitoro. O comportamento empreendedor, isso faz parte do meu dia a dia. Persistência e comprometimento não estão presentes o tempo inteiro. Persistência e comprometimento só vão aparecer quando é necessário que eles apareçam. Tá tudo bem, você não precisa ser persistente, não. Opa, deu um problema, aham, agora nós vamos ver. Deu um problema agora, a persistência vai ter que aparecer. E aí, ela só vai aparecer se você tem um objetivo claro, uma meta bem definida,

porque aí eu preciso persistir para chegar lá e não ficar parado no problema, na dificuldade. Tá tudo lindo, maravilhoso, eu não estou muito comprometido. Só fazer as coisas, as coisas têm que ser feitas. De repente, surgiu uma dificuldade. De repente, as coisas não estão indo bem como deveriam. Então, se eu não me comprometer para me sacrificar ou para fazer o que é além do normal, além do necessário, o objetivo não vai ser atingido e o meu próprio compromisso fica no meio do caminho. Então, assim, persistência e comprometimento são comportamentos, características que vão aparecer quando as coisas não estão indo muito bem. Aí elas vão aparecer, se o empreendedor tem. E se não tem, aí vai ficar além do caminho. Nossa, e muito interessante porque você fala assim que muitas vezes sem a meta, a gente não sabe se está sendo teimou ou persistente, né? E uma coisa que eu percebo também, ô César, e Pezati, não sei se você se compactou com isso, é que muitas vezes eu vejo que tem empreendedores

que se perdem em ficar fazendo muita coisa. Eles se perdem em atividades e esquecem do resultado final. E aí, assim, fica fazendo, fazendo, fazendo, mas fazendo ok e pra quê? Me esquece do que realmente é importante. Vocês pegam isso também? Como é que vocês vendem? Eu faço a pergunta sempre, você está ocupado ou está produzindo? Porque eu estou ocupado o dia inteiro. Tá bom, mas você está produzindo? É diferente se ocupar e produzir. Exatamente isso. O fato está produzindo, né? E assim, você está persistindo para chegar aonde? Ah, eu quero faturar um milhão nesse mês e para isso eu preciso de 250 por semana. Supondo quatro semanas, né? E aí, de repente, assim, cara, eu preciso agora de três novos clientes essa semana de qualquer jeito. Por quê? Porque você tem que se sacrificar, correr, correr atrás de três clientes novos. Não vou dizer por quê, porque o faturamento esperado é um milhão, porque essa primeira semana que era 250 e só fiz 200. Não fiz 250. Então, não está indo do jeito que eu quero. Então, eu preciso persistir

de não parar de dar um leito caminho. Então, assim, se a meta não está clara, se o objetivo não está claro, se ele não está acompanhando isso, entenderam? Por quê isso vai aparecer? Não aparece. Bom, tudo bem. Os mesmos um milhão ao mês, 250 por semana, primeira semana, fizeram 300. Nossa, preciso de três clientes novos. Mas você não tem tempo. Tudo bem. Você não tem tempo. Para ir atrás de três clientes novos, nem precisa. Está tudo beleza. Entenderam? Não, mas eu preciso. Por quê? Qual é a razão que você tem que fazer isso? Se o objetivo e a meta não estão claras ou voar na frente, não tem a razão. Aí você não sabe o que está fazendo ou por que está fazendo. Tem outro comportamento, César, que é oportunidade. Porque, assim, a oportunidade é derivada do planejamento. Aí, se você não tem planejamento, assim, o planejamento deriva da meta. Você não tem meta, você não planejou. Aí, ah, não, tenho meta, eu fiz planejamento. Show. E estão monitorando. Show. Aí eu estou vendo o que eu quero, aparece as chances, né?

Aparece o que chama de oportunidade. Ah, o que eu precisava era isso aqui. Caiu no meu colo, deixa eu pegar. Mas se você não tiver a meta, não tiver o planejamento para chegar na meta, aquela oportunidade, ela vai continuar existindo. Só que você simplesmente não vai nem olhá-la. Ela vai estar fazendo striptease na porta da tua empresa e você não olha para ela. Porque ela não está alinhada com o que você quer. E oportunidade é bom, né, velho? É. E às vezes a oportunidade está lá, o cara não enxerga. Né? Por quê? Porque como isso não está alinhado, a oportunidade está lá, o cara não vai enxergar. Ou às vezes ele enxerga, mas não tem iniciativa. O negócio passa tudo por causa desse desalinhamento de meta e planejamento. Eu tenho um grande amigo que vocês já entrevistaram, a gente é amigo, na verdade, nós somos sócios, né? E vocês também, que é o Paulo Eustáquio. E tem um ponto que a gente gosta de bater muito, que é assim. O presente que manda no futuro ou o futuro que manda no presente? Então, assim, muita gente fala assim,

não, o presente que manda no futuro, que você vai construindo, chega lá, a gente não pensa assim. A gente pensa que o futuro é que manda no presente. Então, se eu sei lá, eu posso, então, determinar o que eu vou fazer aqui. Aí faz sentido planejar. Planejar para chegar lá. Então, quem está mandando na minha vida é o futuro. Está mandando no presente. Todo planejamento, toda oportunidade que surge, que eu aproveito, ou eu não, ou não, que eu avalio isso, de ter iniciativa naquele momento, ou não me envolver com isso, ou não, fazer mais disso, ou menos disso, gastar mais tempo, ou menos tempo. Cara, isso tudo tem a ver com onde eu quero chegar lá na frente. Mas tem gente que planeja para caramba e não tem meta nenhuma. É como o cara que fala assim, cara, eu estou planejando minha viagem aqui, que hora eu saio, quanto eu levo de dinheiro, quando eu abasteço o carro, eu espero que o cara, para onde você está indo? Eu não sei ainda, não. Ainda sou, não é? Cara, que planejamento é esse? Você quer colher laranja e vai plantar maçã? Pois é. Isso precisa estar alinhado. E esse objetivo, claro, lá na frente, vai fazer com que você consiga

planejar agora no presente, aproveitar a oportunidade, ter iniciativa, se comprometer para persistir tudo no presente agora por causa do lugar onde você quer chegar lá na frente. Ô César, uma coisa que eu queria arrancar de você também, porque parece assim, ah, empreendedores, esses caras aí, eles falam, porque para eles tudo dá certo, esses caras são ricos, eles são bonitos, eles são isso. Não tem umas roubadas que você já fez, né? Tipo, eu sempre lembro da história do refrigerante. Ah, não. Às vezes dá tudo errado, é aquilo que te ensina, né? E aprende, né? Quem aprende, aprende, né? Aprende com os erros. Ah, deu tudo errado. Tá bom, mas o que eu aprendi disso? É verdade. O que eu tirei? Ah, eu aprendi dinheiro, né? Conta para a gente rapidinho lá a história do refrigerante, eu gosto dessa história. Os caras gostam das histórias boas que a gente tem para aprender com a gente, mas o pessoal gosta das ruins também, né? Isso torna a gente mais humano. E a gente tem que ver na internet hoje em dia aí muitos papas, cults e tal, né? Que a história é meio sempre igualzinho, né?

A jornada do verão era ruim aqui, ficou bom lá, e agora cela de brigadeiro, né? Então eu tenho um momento onde eu errava, agora eu passei a acertar, então agora é só fazer o que eu estou falando. Cara, todo mundo erra e acerta o tempo inteiro. Eu tive negócios que deram muito certo, eu ganhei um dinheiro, negócios que deram errado, perdi, e outros que deram certo e outros que deram errado. Você está evoluindo, crescendo, aprendendo o tempo inteiro. Apesar de estar tocando na indústria de refrigerante, porque foi uma das coisas que eu mais aprendi. Foi um dos maiores problemas que eu tive por deficiências de comportamentos adequados meu mesmo, onde eu aprendi muito, aprendi várias lições com as coisas que deram certo, aprendi com as que deram errado. Por exemplo, com a indústria de refrigerante, você tem um negócio onde você não acompanha ele e onde outras pessoas acompanham e você só vê o resultado se foi bom ou ruim e não se envolve com nada. Está errado. Não se deram empreender desse jeito.

Você pode ter pessoas que resolvam para você, mas você precisa participar das decisões. Quando eu falo que mexe com o pecolário, a pessoa fala assim, ah, não é verdade que eu olho do normal que engorda o boi? É, mãe, hoje você tem internet, você tem câmera na fazenda, mas sempre teve uma pessoa que podia olhar para você lá ou o que está acontecendo na fazenda com o olho de dono, onde te reporta as coisas e você toma decisão. A indústria de refrigerante, quando eu assumi ela, investi dinheiro nela, um negócio que estava… Depois eu descobri que estava mal e ruim para caramba, era um negócio muito ruim, os outros sócios foram embora e eu assumi o negócio, fechei ela em três dias, ficando com prejuízo um milionário para mim. Por quê? Porque eu fui tomar pé da situação e vi que realmente o negócio era completamente inviável. E agora fazemos o quê? Agora a gente chupa essa manga, engole esse caroço, resolve esse problema e parte para as outras. Lá era um problema de fluxo de gasto,

um problema de estratégias de venda, um problema de posicionamento de mercado e todos esses problemas nesse negócio não era possível mais ser resolvido. Por quê? Passou muito tempo, a gente atende muitas empresas no desafio empreendedor que na verdade dão uma grande vira-volta, revira-volta, porque fazem que precisam ser feitas a tempo. Nessa indústria que gerente que eu fui sócio, deixei passar, não era mais tempo. Triste, né? Em outros negócios também tive problemas, mas foram corrigidos a tempo, que é o que a gente faz muito no desafio empreendedor. Ajustar o comportamento dos empreendedores, dos empresários para o que precisa ser feito, ser feito a tempo para que o negócio possa alucar. Aprendi muito na indústria de refrigerante, me fez não cometer outros erros. É, olha que interessante, né? O a tempo, né? Só que para o a tempo eu tenho que estar com os olhos ali presentes. César, como é que você faz para ser essa multitarefa?

Não é que é multitarefa, você é um empresário de vários segmentos, tem as suas fazendas, você tem palestras, você tem turmas do desafio empreendedor, você é um sócio que toca aqui, a equipe de São Paulo, de outros estados. Como é que você faz para jogar energia no lugar certo ou na hora certa? Ó, tem algumas coisas que faz a gente seguir em frente e explorar o potencial que a gente tem. Obviamente, a primeira questão é o propósito, sabe? Conseguir, com os olhos fechados ou abertos, olhar lá na frente e falar, cara, onde eu quero estar? O que eu quero estar fazendo? Como eu quero estar sendo? Quanto eu quero ajudar pessoas em volta? Quanto eu quero fazer isso tudo funcionar? Então, a energia pessoal vem disso. Porque não pensa aí que, ah, todo dia a porta é motivada, todo dia você está mil por hora. Não está. Tem dia que você está de saco cheio, tem dia que você está com preguiça, mas se você levanta da cama mesmo assim, por conta desse algo maior

que está lá na frente. Então, a energia vem disso. Se perder essa visão, cara, você não sai da cama de manhã. A segunda coisa, não sei se é a segunda mais importante ou tão importante quanto, foi uma das primeiras coisas que eu falei aqui no nosso podcast, que é relacionamento com a pessoa certa no lugar certo. Entendeu? Então, eu tenho, por exemplo, quando eu falo de desafio empreendedor, eu coordeno alguns estados, faço as minhas turmas de desafio empreendedor também. Então, juntar tudo isso aí em estados diferentes, cidades diferentes, e aí eu faço palestra, eventos, faço consultorias pontuais também, aí eu tenho uma pessoa que é o meu braço direito, que é a Renata, que se eu não tivesse um bom relacionamento com ela, e a gente discute, a gente briga, a gente concorda, a gente discorda, mas a gente tem relacionamento e a gente conversa e está tudo sempre claro. Os objetivos que eu espero dela, que ela espera de mim, e sem ela, eu não conseguiria. Aí eu vou para a fazenda,

cara, as fazendas que eu tenho estão a 2 mil quilômetros de onde eu moro, estão no norte do Mato Grosso, eu moro no interior de São Paulo. Em cada uma das fazendas, eu tenho uma pessoa em quem eu possa delegar, em quem eu possa confiar, confiar e monitorar, sabe assim, delega e monitora, delega e monitora, delega e monitora, porque não é delargar, é delegar, certo? Então, eu tenho pessoas que eu confio nas duas fazendas para que eu possa delegar. Como é que você dá conta de tudo? Não, eu não dou conta de tudo, só fácil tudo funcionar, não dou conta de tudo, isso de gente. Serginha, o que você tem pego? Ó, hoje, uma coisa que eu vejo muito, são as pessoas se perdendo muito, perdendo muito tempo, se perdendo muito atrás daquela dopamina que vem aí das mídias sociais, etc. O que não seja importante, até para nós, os empreendedores, é importante também estar nas mídias, explorar as mídias, saber o que está acontecendo, mas as pessoas estão, acho que até um pouco perdidas nisso, né? E também,

hoje, a informação que é tão importante para o empreendedor, ela está muito disponível. Como é que você poderia falar hoje para o empreendedor raiz, que dica você daria para ele estar presente, para ele estar na mídia, mas não se perder nisso tudo? Cara, olha que assunto sensacional, né? Para quem empreende, para quem é empreendedor raiz mesmo, né? Isso aqui foi a maior bênção na vida do empreendedor e é a maior maldição. Ele está falando do celular, tá? Porque ele está mostrando aqui, isso é um celular. Isso para o empreendedor, raiz, para qualquer empreendedor, isso aqui é a maior bênção, isso aqui é a maior maldição, entendeu? Por quê? Porque é um ladrão de tempo, um ladrão de foco, um ladrão de oportunidade. Só que aqui dentro, você ganha tempo, ganha foco, ganha oportunidade se você souber usar, entende? Então assim, redes sociais, tecnologia, informação, cara, você tem que fazer parte do seu dia a dia, tem que fazer parte, não tem jeito.

Você não está lá, se você não usa isso em prol do seu negócio, não importa o tamanho dele. A gente tem clientes pequenininhos que não estavam lá e porque começou a usar, esse meio de rede social, tecnologia e informação, o negócio cresceu. E eu tenho clientes grandes, muito grandes, que falam, esse cara não precisa. Cara, quando ele começou a trabalhar isso lá, a empresa avançou. Só que a gente, enquanto pessoa, enquanto indivíduo, cara, isso aqui faz a gente se tornar escravo, escravo do que os outros estão vendo, do que os outros estão pensando, do que os outros estão achando. E aí, rouba o nosso tempo, rouba o nosso foco. Eu procuro colocar muitas coisas aqui porque eu sei que isso ajuda os meus negócios. Cara, tem fazendeiro no Alto Grosso que me segue no Instagram e que eu fui conhecer o cara, tomou um café com ele e a gente fez negócio de comprar bem negado lá. Então, é assim, é insano isso. Não precisaria disso, né? Para o meu trabalho de desafio empreendedor de consultoria, cara, tem muita gente que conhece a gente, entende o que a gente faz por causa disso aqui,

certo? Mas eu tiro uma semana para passear com a minha família, cara, eu preciso ter uma semana para passear com a minha família, senão eu fico escravo disso aqui, entende? Então, assim, quanto tempo, você que é empreendedor, quanto tempo você está gastando com redes sociais, com Instagram, com YouTube, quanto tempo você está gastando por isso, que na verdade é tempo que você deveria estar gastando com o teu negócio. Porque se você está gastando por causa do teu negócio, ok, faz parte. Se você está gastando com entretenimento e diversão, precisa também, faz parte. mas se você está roubando o seu tempo, tirando o teu foco, cara, aí já se tornou uma maldição na sua vida, você precisa parar com isso. Um ponto disso aí, Cesar, a gente trabalha muito isso, quando a gente está lá no programa, é gerenciamento de tempo. A mídia social é uma parte, fazer um balanço, fazer um equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional. Tem gente, ah não, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho. Eu já vi muitos casos que a pessoa trabalha, trabalha,

trabalha, aí ela constrói um grande negócio, aí chega o momento da sucessão, ninguém quer, nem chega perto da empresa. Aí você vai descobrir, os filhos falam, essa empresa é o demônio, ela roubou o meu pai de mim, eu não gosto disso aí porque eu perdi meu pai para essa empresa, eu não quero isso. Então imagina um empreendedor que fez isso a vida inteira e chega lá na frente e vai ter parte da família, os sucessores, contra isso. Por quê? Porque em determinado momento ele não olhava lá para a família porque ele achava que era só trabalho. A gente vê o outro lado também, alguém que a empresa está numa situação ruim e ele está lá só preocupado com ele ou com compromissos sociais e família, o resultado sempre vem num bom equilíbrio e o equilíbrio ele é flexível. Agora é final de ano, eu vou ter que trabalhar bastante família, não contem comigo e tchau e vai trabalhar 12, 18, 14 horas, a gente sabe como é. Mas também chega, pessoal, acabou, agora minhas férias eu estou com a minha família, me esqueçam aí duas semanas que eu fui embora

e eu vou monitorar vocês de longe e a vida continua. Então, ah, mas esse cara não está preocupado com a empresa? Tá. E ele trabalhou 18 horas num determinado momento e num outro momento ele ficou de férias com a família. Isso é viver, isso é ter equilíbrio, isso é buscar uma qualidade de vida com a família, com a vida, não é só. Que aí você consegue amar mais ainda o teu negócio porque ele vai te dar mais prazer porque não é aquele negócio que está te estragando relacionamentos. Muito pelo contrário, ele permite que você tenha relacionamentos duradouros já que aquilo te gera satisfação social, satisfação pessoal, financeira, um monte de coisas que a gente espera, né? Reconhecimento social principalmente, né? Chega um momento da vida que tudo que você quer é prestígio, né? Você já tem tudo, você fala eu só quero ser reconhecido aqui na sociedade como alguém que é bom para a sociedade. e você consegue isso com a empresa, mas desde que você não fique só lá trabalho, trabalho, trabalho, trabalho. Pessoal, não é falar não trabalhar, tem que trabalhar.

Não existe, não cai do céu, não cai do céu, mas precisa de equilíbrio. É isso mesmo, empreender exige da gente equilíbrio. E a gente fala assim, ah, você trabalha o ano inteiro depois tira as férias. Ok, a gente precisa ter equilíbrio no dia a dia, né? Como é o dia a dia? Tudo bem, você pode ficar 24 horas sem nem comer, nem dormir por causa da empresa porque ela precisou de você neste momento, mas isso não pode ser a sua vida, né? Então, assim, no dia a dia, você tem que ter o seu momento de carregar a bateria. No dia a dia, você tem que ter um momento onde você consegue focar na empresa. No dia a dia, tem que ter um momento onde você resolve as contingências da família, onde você cuida da sua saúde física, onde você cuida da sua saúde mental. Então, se você não tiver o equilíbrio entre essas coisas, você vai muito longe. Não adianta. Eu falo assim, tem cliente que fala assim, o que eu ganho se eu trabalhar 20 horas por dia? Cara, você pode ganhar um câncer, você pode ganhar uma depressão, você pode ganhar um monte de coisa aí. Você quer dinheiro? 20 horas por 12,

você não vai ganhar isso não, entendeu? Então, o equilíbrio é fundamental para a gente empreender e longevidade. Você não tem empreender e ter sucesso um ano, dois anos e depois a vida desmoronará. uma diária do lado. É, por isso que eu tenho como propósito ajudar pessoas a terem mais resultado com mais qualidade de vida. É uma das coisas que a gente trouxe aqui para o podcast, na verdade, porque se o Raiz entender que a hora de empreender é a hora de empreender. A hora de ter relacionamento, se divertir, de ter família, é a hora disso, né? Então, assim, entendendo isso, acho que a gente vai mais longe, né? A relação mais duradoura. A imagem de Raiz, assim, ela tem isso naturalmente, né? A gente que faz a desafio, às vezes, mais no interiorzão, aí no Brasilzão, pô, tem a época da colheita, meu, vai colher. Colher é dentro, cara. Cai para dentro e vai colher

e não tem, tem lá uma janela de tempo que não está chovendo, que é os dias que você escolher para mandar o trator lá arrancar tudo e vai colher naquela janela, e vai trabalhar muito. Vai ter um momento também do ano que está tudo plantadinho, está tudo crescendo, está tudo ali. Só olhar que é mais tranquilo, né? E isso é meio natural na vida mais Brasilzão, aí interior. Na cidade, a gente, eu que sou da cidade aqui, às vezes as pessoas esquecem disso e acham que pode ser sete dias por semana, quatorze horas por dia e que tudo vai ficar normal. Não vai. tem que ter um tempo, nem que seja religioso, domingo, a dia de ir na missa ou é do xabá, o que for, você tem um dia até, isso não vem por acaso, precisa ter disciplina, inclusive, para repouso. Esse repouso vai te tornar mais veloz quando você voltar. Se você nunca repousar, chega uma hora

que você começa a ficar muito lento. É isso mesmo, a gente fala assim, a gente precisa se alimentar, se alimentar de informação. E eu, como sou cristão, e uns lugares onde eu gosto de me alimentar é na Bíblia. E a Bíblia diz o seguinte, há tempo para todas as coisas, há tempo de plantar, há tempo de colher, há tempo de descansar, há tempo de trabalhar. Então, esse equilíbrio é fundamental. E tem uma outra coisa que eu gosto muito de estar escrito na Bíblia também, que a cada dia basta o seu mal. Então, cara, resolver o que precisa ser resolvido hoje, agora você para, descansa e o problema de amanhã, você resolve amanhã. Então, empreender e esse empreendedorismo raís que a gente fala, é conseguir lidar com os problemas dessa maneira, entendeu? O problema hoje na empresa foi só bucha e das dez coisas que eu tinha para resolver, as outras não conseguiam. Ok, amanhã a gente resolve. Agora eu chego lá em casa, agora eu vou dar um beijo na minha esposa, vou dar um abraço para o meu filho e eu vou descansar, entendeu? Porque amanhã eu vou resolver o que não foi possível resolver hoje. o que não foi mesmo

que eu consegui. Nossa, maravilhoso isso. Vou falar para alguns analisando os meus daí sobre ele. Muito ansioso, tem até uma passagem da Bíblia que o César trouxe para a gente, a cada dia basta o seu mal. Ótimo isso, César, maravilhoso. Ô, César, eu já vi que você se abastece da Bíblia, eu sei disso, né, cara? E tem muita coisa excelente lá, psicologia profunda e de tudo mais, cara, é realmente maravilhoso. de onde mais você tira as suas forças aí, como é que você faz para se ganhar essa energia toda que você tem? Cara, assim, existem problemas que não funcionam, né, eu venho de uma família de cardíacos, né, então eu tenho pressão alta desde os 30 anos, meus irmãos, todo mundo, né, então a minha energia vem de plantar e colher. Eu, para comer as picanhas que eu gosto, os torres, que eu gosto, todas as coisas, eu preciso me manter mais magro e com a pressão em dia, entendeu? Ou então, assim, é, cara,

tem jeito. Sou melhê de torresmo, né? Eu chamo torresmo de pílulas da felicidade, às vezes eu estou numa dieta, assim, almoço bem saudável, pego um torresmo, que é a minha pílula da felicidade. Torresmo é vida. Então, assim, um pouco de atividade física, eu gosto de pedalar e isso me ajuda a buscar energia nisso. Eu, por conta de ter tido um videolocador, a livraria, tem muitos anos, eu gosto muito de filme, busco a energia, às vezes parando, tudo desligando, assistindo um bom filme, seja no cinema, seja em casa, seja com a família, com a esposa, seja sozinho. Então, assim, eu, uma das fazendas que eu tenho no Mato Grosso, é um dos lugares mais lindos e ricos da natureza, assim, com vagos, coisa sensacional. Então, eu gosto de pescar, então, às vezes eu vou no Mato Grosso trabalhar, tiro um dia, nem que seja meio dia para pescar, entendeu? Então, assim, eu, uma das maiores diversões que eu acho na minha vida, a coisa mais motivadora

e recarrega a bateria, animadora, é sair para algum lugar e comprar alguma coisa boa e tomar um rio. Então, assim, eu tenho uma listinha de coisas que me faz manter essa energia em alta, quem me conhece, sabe, eu acordo muito cedo, durmo muito tarde, entendeu? Ando muitos quilômetros no mês, eu não tenho tempo ruim para mim, nem distância longa, nem trabalho pesado, isso não faz parte do meu vocabulário que eu fui criado assim. Mas, obviamente, você precisa se energizar para aguentar esse tranco, eu me energizo com essas pequenas coisas que eu tenho prazer e que eu não deixo elas passarem muito tempo sem botar o carregador na tomada, não, estou muito tempo sem pescar, dou uma pescadinha, estou muito tempo sem pedalar, vou pedalar, estou muito tempo sem assistir um filme, vou assistir um filme, estou muito tempo sem sair com a minha esposa para jantar, estou com um vinho, alguma coisa, vamos fazer isso. Então é, a gente carrega o celular todo dia, porque a gente já não vai carregar também. Nossa, sensacional, uma baita dica para quem acha que é muito distante,

que é muito longe, que é muito complexo, olha aí, coisas do dia a dia que realmente me fazem bem, que realmente fazem sentido para mim, que eu gosto, eu vou lá, me organizo e mesmo dormindo tarde, acordando cedo, vou lá e faço. E ganho energia com isso, e empreendo mais e tenho mais resultado. Sensacional, senhora. Caramba, meu amigo, daria para você, a gente vai ter que voltar, meu amigo, para falar mais daqui, para a turma. Uma hora vai rápido. É rápido, né? E o quanto conversar é bom, né? As pessoas não conversam mais, né? Então, dica para quem empreenda, né? Eu falei já disso, que é para tempo, conversa com o seu pessoal, né? Tem uma piada que é muito comum em restaurante, infelizmente, é comum nos lares hoje, né? Que o pai chega na… Então o pessoal almoçando, todo mundo na mesa, e cada um no seu celular, e ele não, né? Ele fala assim, nossa, gente, peraí, preciso buscar meu celular, que eu quero participar da conversa também. Entendeu? Então, né? Então, assim, a gente precisa se energizar

e fazer as coisas juntos e ter mais esse tempo, tempo com gente, tempo com pessoa. Olha o que a gente está fazendo aqui, né? Num podcast como esse aqui, trocando ideia e conversando. por isso isso é tão bom. Eu tenho um case, assim, quando, tempo de multinacional, né? Eu tinha o costume, e um monte de… Meu time tinha lá umas oito pessoas, e eu sempre tomava café com eles. A gente trabalhava num prédio ali, no edifício do Aço, lá em São Paulo, do lado de Itaú. E… eu chegava cedo, puxava os números, já tinha o número de venda, que foi, não foi. Aí o povo ia chegando, né? O horário era meio flexível, todo mundo chegava entre oito e nove. Depois saia flexível também, né? E… chegou todo mundo, ah, pessoal, café, café. Aí, ali no Terra, tinha um France Café, um dia um pagava, outro dia, tu ia tomar café. Eu falei, pô, mas você vai tomar café com o teu pessoal todo dia? Eu falei, cara, a área mais produtiva do dia. A gente vai falar do Corinthians que perdeu,

que ganhou, do Palmeiras, vai, né? Ontem foi o jogo, vai. Aí você já olha, ah, o teu… tem ali, precisa vender pra esse, como tá o estoque desse, como que tá, qual que é o plano dessa semana? Cara, em 15 minutos, a gente já tinha alinhado um monte de coisas, já tinha levantado quais os que eu precisaria sentar mais tempo pra conversar, já sabia o que todo mundo ia fazer. Tava alinhado, era 15 minutos. Muitas vezes a gente brincava no corporativo, o que a gente resolvia, isso também lá na matriz, a gente resolvia muito mais coisa no café do que na sala de reunião, porque era assim, sala de reunião era meio, às vezes, hostil, né? Tinha um monte de gente, e você não tinha que ser mais formal, mas você tinha um bom relacionamento com as pessoas, aí você tinha uma ideia, você falava, ô, vou tomar um café ali. Aí você chega no pessoal, tô pensando em fazer isso, isso, isso, isso, o que você acha? Ah, pô, pode esbarrar aqui, pode esbarrar ali, tá bom? Tão alinhado, então, ó, amanhã eu vou levar isso na reunião. Fechou? Não, pode, aí você apresenta na reunião, não fica aquela cara de surpresa sobre o que as pessoas irão falar na reunião,

porque você já alinhou desse jeito com todo mundo, aí a hora que você, ah, sim, sim, sim, todo mundo de acordo, acabou a reunião, mas você já fez esse trabalho antes, né? Muitas vezes é num café, é num almoço, num bate-papo ali, informal, não precisa ser formal o tempo todo, isso funciona também com o time, né? Você, mas precisa, isso é uma coisa, mas se você ficar só nisso, fica solto e não tem a formalidade do que é pra fazer. Então, olha, decidimos o que vamos fazer. Decidiu? Decidiu. Aí tem uma reunião, na reunião vai ter uma pauta, vai estar escrito, ó, precisamos fazer isso, isso, com data, quem vai fazer, talaná, talaná, e daqui a um mês vai ter outra reunião, com pauta, tudo, que vamos cobrar isso. Aí ficou registrado, aí você sabe que aquilo que ficou registrado, quem tá ali com o nome, com a ação, do que precisa fazer, vai fazer, porque sabe que daqui a um mês vai ser cobrado formalmente na frente de todo mundo novamente. Pra resolver isso aí, você faz mais 500 reuniões de café, pra ir acertando o dia a dia, mas a hora de finalizar, você vai lá num ambiente formal, né, pode ser formal numa grande empresa,

ou menor até na empresa, você resolveu o dia a dia e você formaliza, ó, tá andando. E nesses passos de mês a mês, tudo resolvendo, a hora que você olha pra trás, nossa, o que a gente fez esse ano? Que foram tantos itens que entraram nas pautas, que a gente foi resolvendo, e resolve desse jeito, né, com boa relação com o café, com bate-papo, de uma forma, né, você tá ali falando de faturamento, e tá falando, o mesmo tempo, o teu time ontem tomou um couro, e vai junto, e é divertido, né, às vezes é o seu time que tomou um couro, né, tão te sacaneando também, e vida que segue, e é bem gostoso, é assim, é muito legal. Apesar de você saber que, isso que a gente tá trazendo, é fundamental, mas, e tem a ver com o olhar, né, que é, tá de olho na pessoa, né, tá de olho, o olhar de quem tá ali, só que o olhar não é só o olhar, né, eu lembrei do, o negócio que eu tinha, na administração, né, que é o chá, conhecimento, habilidade e atitude, né, o pessoal chama de chá, conhecimento é chá, é velho pra burra, mas é um velho que funciona,

cara, porque é o olhar, você vai lá conversar com a pessoa, vai tomar um café, aí você fala assim, cara, isso aqui não tá indo pra frente, por quê? É falta de conhecimento, é falta de habilidade, não é falta de atitude, né, porque as pessoas estão em um momento difícil, então a atitude dela tá negativa, mas ela não sabe fazer aquela coisa nova mesmo, não tem habilidade, pra que tu tá mandando o cara vender, e ele é bom de administrar, ou vice-versa, né, ou ele não conhece daquilo mesmo, quem tinha começou, o que é, quer que ele faça, então eu quero delegar algo pra alguém, que ele não tem aquele conhecimento ainda, ou não tem habilidade, ou ele não tá, ainda não comprou a ideia, ou seja, atitude, então acho que esse olhar aí tem que tá presente, mas lembrar do bom e velho chá, né, conhecimento, habilidade, atitude, só funciona que é uma maravilha. Demais, funciona, funciona muito, né? Primeiro, agradecer pelo convite, é muito bom a gente trocar a ideia aqui, com você, são pessoas de muito conhecimento também, e a gente, na verdade, tá trocando conhecimento, isso é muito bom, obrigado pelo convite, obrigado pelo tempo,

pela oportunidade, tá trocando ideia sobre empreendedorismo, por, de alguma maneira, entenderem que o meu empreendedorismo é empreendedorismo raiz, eu fico feliz com isso, e só pra deixar um recado final, né, pra quem já está empreendendo, pra quem tá pensando em empreender, o empreendedorismo que mais funciona é esse empreendedorismo raiz mesmo, sabe, onde você pega, vai lá e faz. César, mas e a informação e a tecnologia? Se a pessoa não soubesse o quanto no agro hoje existe de tecnologia e informação, e o agro no Brasil hoje é esse sucesso, a gente alimenta o mundo, porque aliou essa informação, essa tecnologia, ao que é empreendedorismo raiz, que é ir lá e fazer, levanta, vai lá e faz, entendeu? Você vai resolver metade, 70% dos seus problemas, se você levantar, for lá e fazer. Então, empreender é isso aí, é fazer acontecer. Você pode delegar a tarefa, mas responsabilidade você não vai delegar, entende? Então, ou você faz,

ou alguém faz, ou você levanta e vai lá e ajuda alguém a fazer, mas o resultado precisa acontecer. A massa é, vamos dizer assim, é o grande segredo do sucesso. Levanta, vai lá e faz, entende? Se você não fizer tão bem, vai estar feito. Da próxima vez que você faz, melhora, já mudou, né? Então, obrigado de novo pelo convite, e fica o recado pro pessoal aí. se olham pra gente e falam assim, nossa, quantas coisas boas ele conseguiu fazer, é porque ele foi lá e fez. Sensacional. Obrigado, César. Vai ter que voltar aí, meu amigo, já vai marcando na agenda, aí quando você pode de novo, você vai voltar, meu amigo. Tem muita coisa pra colaborar com os empreendedores. Obrigado de novo. Abração, gente. Obrigado, abraço. Você ouviu Empreendedorismo Raiz, o podcast onde a gente te entende. Siga-nos agora nas redes sociais. Empreendedorismo Raiz Podcast.

Nota editorial: afirmações sobre saúde, religião, negócios, produtos e empresas são falas dos participantes. A análise organiza os argumentos da conversa; não constitui verificação independente desses dados.